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GESTÃO
Publicado em: 05/11/2014
Por: Edson Gutierrez
 
Por que Qualificar Fornecedores?
 

Todas as normas de Gestão, seja lá qual o seu foco, possuem requisitos relacionados a fornecedores. O motivo é simples, quando se trata de sucesso empresarial, fornecedores e prestadores de serviços representam os mais variados tipos de RISCOS.

Um dos grandes desafios da gestão empresarial é primeiramente identificar e avaliar estes riscos, para que então seja possível implementar controles que os reduzam a níveis aceitáveis, uma vez que os mesmos nunca serão neutralizados ou eliminados.

Riscos Financeiros: Quando uma organização opta por adquirir certos produtos ou serviços, assume o risco de "pôr a mão no bolso" caso seu fornecedor cometa alguma falha. Estas, podem variar desde um defeito em seu produto acabado, por problemas relacionados a matéria prima ou componentes adquiridos, ou ainda a responsabilização pela falta de cumprimento de obrigações trabalhistas por uma empresa a qual terceirizou algum serviço. Ex. Portaria ou limpeza.

Risco a Imagem: Além de riscos financeiros, falhas de fornecedores podem impactar a imagem de organizações junto a seus clientes, órgãos oficiais ou a sociedade como um todo, impactos como este, normalmente resultam também em prejuízos financeiros por perda de clientes, imposições de multas, desvalorização de ações na bolsa, entre outras. Exemplo: Impacto na imagem de uma montadora de veículos obrigada a assumir publicamente a necessidade de reparo em seus veículos entregues (Recall) ou ainda o caso da NIKE, que teve sua imagem mundialmente afetada quando circulou pela internet vídeos de crianças asiáticas trabalhando indiretamente na fabricação de seus produtos.

Riscos aos valores institucionais: Em outras situações, a organização pode não ser responsabilizada financeiramente pela falha do fornecedor, ou tão pouco ter sua imagem afetada, porém, algumas organizações preocupam-se em trabalhar somente com fornecedores que compartilham dos mesmos valores e compromissos.

Em alguns casos, a falha de um fornecedor pode representar os três riscos de forma combinada. Imagine que uma empresa contratada para destinar embalagens de produtos vencidos de uma industria de cosméticos (com recohecido compromisso com a sustentabilidade), resolva lançar os produtos em uma APP (Área de Preservação Permanente).

Primeiro, esta organização provavelmente será responsabilizada a recuperar o dano ambiental (independente de culpa) e poderá ser autuada com multas financeiras pelos órgãos oficiais.

Segundo, por possuir um compromisso assumido com a prevenção da poluição, esse incidente afetaria diretamente seus valores.

Terceiro, tente dimensionar o impacto sobre a imagem desta industria sustentável tendo a figura de seus produtos contaminando uma área de preservação ambiental veiculada em todos os canais e jornais do país.

Uma vez identificado quais fornecedores representam riscos a organização, o próximo passo é estabelecer requisitos que minimizem estes riscos.

Neste momento há de se ter muita cautela e buscar um equilíbrio. Muitas vezes observo em auditorias que algumas organizações estabelecem requisitos de qualificação que não agregam valor algum ao processo e servem no máximo para passar pelas auditorias, pois não reduzem riscos. Por outro lado, outras estabelecem requisitos tão complexos que fica inviável pratica-los, e quase assume o papel dos órgãos oficiais.

Em um próximo post vou detalhar um método que chamo de “6 peneiras” para avaliação de riscos e definição de fornecedores críticos.

 
 
Edson Gutierrez
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Engenheiro Ambiental
Auditor Líder e Consultor em Sistemas de Gestão - ISO 9001, ISO 14001, OHSAS 18001 e SA 8000
Coordenador do SiG Portal